em nenhum lugar do mundo

onde nada se encontra

os dois pombinhos

Um dia de chuva, na praia,
Havia vento, haviam sorrisos,
Haviam os dois, haviam corações,
Todo o mundo e todos os amigos.

- Vamos correr pro mar ?

- Vamos!

Tinha acabado de parar a chuva,
Mas ainda havia vento e frio,
Que por sinal não encomodava,
Corajosos que nunca se viu…

- Droga, minhas letras, vai molhar tudo! – Pensou.

- Olha pra isso, que maravilha, longe de tudo, só sentindo o mar!

- É, isso aqui é a vida, longe da cidade, só sentindo o mar!

- O que você tem aí ? Me deixe ver! – Pega os papéis

- “O vento, a briza, areia, a praia, a vida…” - Cantava, totalmente fora de um ritmo.

- Não, não é pra cantar, está em formato de poema, não tem um ritmo! – Afirma

- Tá, então eu vou ler:

“A coisa mais bonita,
O fundo do mar.
Oceano profundo no horizonte,
Céu sem estrelas.

Uma ave que corta meu tempo.
Tempo perdido,
Vida perfeita,
A mãe natureza…”

- E essa outra ? – Continuando com os textos.

“Queria agora um abraço teu
que me fizesse perder o frio
e completamente a noção do tempo…”

- Não não! Da aqui, devolve, deixa eu ler! – Pega de volta os textos.

“E o teu beijo que deve ser doce ?
Eu acredito no momento feliz
E na combinação perfeita dos opostos que se atraem.

Deixe vir, deixe rolar,
O amor não precisamos encarar,
Mesmo podendo ser tudo,
Arriscar ou não deixar estragar.

Apareça agora pra mim…”

- Cade você ? – Pergunta pro horizonte, se virando, disfarçando.

- Merda, está tudo acabado agora… – Pensa, desanimando com a situação. Mas continua com a poesia, mesmo sendo pessimista de pensar que nada poderia acontecer.

“Como uma ilusão, o nada,
Um momento sem fim,
Uma eterna felicidade que será lembrada.” – Filanizou o poema.

Por pouco tempo o silêncio aparece,
Quem conversa agora é a natureza.
Ela estava falando sobre nós dois,
Parecia que gritava: “Beija! Beija! Beija…”

- Me dá um abraço… – Sem jeito, abraça.

Quase nem um segundo durou,
Era o que parecia.
Não foi desperdício, aquilo que rolou,
Mas foi embora um momento que prometia…

- Vamos voltar…

- Vamos…

E lá se foi o momento,
Não apareceu a coragem…
Seria uma cena que congelaria o tempo,
Eu vou sentir saudade…

“Vamos voltar…”
Hoje eu queria voltar,
Queria ir de volta pra lá,
Só pra um pequeno detalhe, mudar.

Outubro 31, 2006 Publicado por seu gabriel | Reflexões/Polêmicas | | 1 Comentário

ciclo infinito

O vento, o tempo,
Fazem os fatos
Desse momento,
Que passa, passa e passa.

De hora em hora
Faço retratos,
Pra congelar o tempo
Que passa e passa.
Faço mágica
Mas não consigo esconder,
O vento me leva,
Minhas pegadas permanecem
E as mesmas tenho que esquecer.

O vento, meu tempo,
Meus fatos e retratos,
Meus momentos,
Passam, passam e passam.

Um dia eu consegui nascer,
Acreditei em minha vida,
Falei, andei,
Consegui crescer,
Eu vi que ela existia,
Era tudo verdade,
Até eu morrer.

Tudo o que eu vivi até hoje,
Mais uma vez isso tudo
E irei envelhecer.
Não me importando com o final,
Fazendo mágica,
Vou fazendo tudo acontecer.
Até um dia eu morrer.

Morte é a nova vida,
Sua nova casa
Com sua nova família.
Que o vento e o tempo,
Trará novamente,
Levará infinitamente,
Os novos momentos
E os retratos pra esconder,
Sem mágica, é seu passado,
Mais uma vez,
Tudo pra ter que esquecer.

Outubro 31, 2006 Publicado por seu gabriel | Poemas/Versos | | Sem comentários ainda